R.Paraná, 95 - Jardim Sílvia, Embu das Artes - SP, 06804-250
  • (11) 4704-4177
  • (11) 99489-0662

Mercado de trabalho: conheça as vantagens de contratar uma mãe para sua equipe

DATA: 19/07/2021

Mães são multitarefa. Elas planejam. Pesquisam, organizam, negociam, gerenciam o tempo e lideram. Embora o malabarismo que elas façam nunca tenha sido um segredo, seu papel, talvez, nunca tenha sido tão óbvio quanto na pandemia de covid-19.

Com a transição das escolas para o ensino remoto e as mulheres assumindo uma carga física e mental maior na vida doméstica, as habilidades necessárias para manter tudo nos eixos ficaram à mostra.

Como resultado, uma questão que vem cada vez mais à tona é se essas habilidades têm ou não espaço no currículo de mulheres que são mães.

Existe há muito tempo um esforço para reconhecer a maternidade como um trabalho legítimo que capacita as mulheres com habilidades valiosas para os empregadores. E algumas vozes deste movimento estão se fazendo ouvir.

Um dos mais novos responsáveis por isso é a HeyMama, comunidade com sede nos Estados Unidos para mães que trabalham, que lançou uma campanha chamada Motherhood on the Resume ("Maternidade no Currículo").

É bastante literal, diz Katya Libin, cofundadora e CEO da HeyMama. A organização defende que as mães atualizem seus cargos no LinkedIn, ou até mesmo adicionem a maternidade no currículo, como qualquer outro trabalho "reconhecido", digamos, na área de vendas ou engenharia.

Essa é uma questão, obviamente, subjetiva. A questão, no entanto, está em se as mulheres podem colher benefícios tangíveis com isso — ou se alguns preconceitos sistemicamente arraigados em relação à maternidade poderiam produzir o efeito oposto.

Maternidade no currículo

Em sua essência, Libin diz que a campanha da HeyMama é um esforço para "derrubar alguns dos preconceitos culturais que existem contra mães no local de trabalho e dar às mulheres as ferramentas para reconhecer que a maternidade é um campo de treinamento para liderança e crescimento".

A pandemia apenas exacerbou a importância de reconhecer o quanto as mães realmente fazem, ela acrescenta, e é por isso que a HeyMama lançou sua campanha agora.

Libin acrescenta que a maternidade fornece habilidades profissionais tangíveis que ela acredita que as mulheres podem "traduzir taticamente" para os empregadores. As mães são melhores ouvintes, são mais diplomáticas e "superorganizadas", diz ela.

"O mercado de trabalho atual exige de fato uma comunicação forte e habilidades interpessoais, então acho que ver a maternidade como uma vantagem, em vez de algo que pode 'destruir uma carreira' é um dos objetivos principais ", completa.

Os defensores da visibilidade da maternidade como qualificação profissional concordam que a função capacita as mulheres em habilidades profissionais vitais.

"Muitas pesquisas mostram que, de fato, as mães são realmente mais eficientes e melhores mentoras. E quando você leva as mães à liderança... elas acabam sendo mais lucrativas", diz Lauren Smith Brody, fundadora da The Fifth Trimester, consultoria com sede nos EUA que ajuda as empresas a apoiar e reter funcionários com filhos.

Ela conta que sua pesquisa mostra que as mães também sabem como reduzir o tempo entre as tarefas, o que leva à eficiência e a fortes habilidades de gerenciamento de tempo.

Se os empregadores estiverem dispostos a reconhecer essas habilidades, listar a maternidade entre as qualificações profissionais pode ser vantajoso.

Atividades extracurriculares

Mas, embora as mulheres possam estar dispostas a comunicar seus papéis de mães, o mundo do trabalho pode ainda não estar pronto para ouvir.

Já existe um precedente de que as "atividades extracurriculares" podem influenciar a maneira como um empregador vê um candidato — o que se manifesta especialmente como um incentivo para os homens.

"Atividades estereotipadamente masculinas são vistas como compatíveis com o que se deseja no local de trabalho — daí a abundância de metáforas esportivas no trabalho e na linguagem da liderança", diz Michelle Ryan, professora de psicologia social e organizacional da Universidade de Exeter, no Reino Unido.

Portanto, pertencer à equipe de rúgbi da universidade pode comunicar colaboração e trabalho em equipe; assim como treinar para um triatlo pode sugerir um olhar global e determinação.

No entanto, embora os empregadores ainda vejam a maternidade como uma atividade fora do trabalho, não é concedida às mulheres a mesma abordagem. Na verdade, elas podem ser penalizadas.

Estudos mostram há muito tempo que os empregadores consideram as mães menos aptas para empregos e promoções do que quem não tem filhos. Além disso, uma pesquisa da Kennedy School de políticas públicas da Universidade de Harvard, nos EUA, revela que os empregadores julgam as mães 10% menos competentes do que profissionais que não têm filhos; e as mães são consideradas 12,1% menos comprometidas (enquanto no caso dos pais, este percentual é de 5%).

Além das desvantagens para as mulheres em termos de carreira, também afeta seu potencial de ganhos financeiros no longo prazo. As mulheres que são mães recebem salários iniciais mais baixos do que candidatos sem filhos — 7,9% menor, de acordo com a pesquisa de Harvard.

Esse tipo de penalização levou muitas mães a adotarem o chamado "secret parenting" — o extremo oposto de alardear a maternidade no currículo. Mas, segundo Ryan, há algumas notícias promissoras: sua pesquisa com os colegas Thekla Morgenroth e Anders L Sønderlund mostrou que os pais — sobretudo as mães — são cada vez mais "estereotipados como tendo traços e habilidades mais diligentes, como ser autoconfiantes, organizados, independentes e decisivos, o que os torna mais aptos a serem líderes"

Mas, conforme ela adverte, os preconceitos de gênero ainda existem. E é possível que a pandemia possa até ter consolidado esses preconceitos, levando a aceitação profissional da maternidade na direção errada.

"A pandemia começou, e agora estamos assistindo a mães no Zoom com seus filhos de quatro anos no fundo ou no colo, e reiterando... a penalização da maternidade", afirma Ruhal Dooley, consultor de RH da Society for Human Resource Management, com sede nos EUA.

Fonte: com informações da BBC

Compartilhar: